Manaus atinge níveis graves de poluição do ar por fumaça de queimadas
Rafael Cardoso – Repórter da Agência Brasil
A qualidade do ar em Manaus chegou a níveis graves para a população e fez a Defesa Civil disparar alertas de risco à saúde nesta sexta-feira (9). Segundo a prefeitura, a fumaça intensa que atinge a capital nos últimos dias tem origem nas queimadas registradas em municípios do interior do Amazonas.
No início da manhã, o ar atingiu 196,4 microgramas por metro cúbico (µg/m³) de material particulado fino (MP2,5), uma substância tóxica para o ser humano.
Níveis acima de 160 µg/m³ já são considerados “péssimos” na classificação de qualidade do ar. Na medição das 22h de quinta-feira (8), foi registrado um pico de 200,0μg/m³.
Os números foram divulgados pela Defesa Civil de Manaus, que utiliza o registros da PurpleAir, uma empresa internacional que monitora a qualidade do ar em tempo real por meio de uma rede de sensores pelo mundo. Na capital do Amazonas são 10 sensores.
O alerta orienta cuidados maiores para aqueles que pertencem aos grupos de risco, como idosos, gestantes, crianças e pessoas com doenças respiratórias. A recomendação é aumentar a hidratação, usar máscaras PFF2, evitar exercícios físicos e acompanhar as atualizações.
Entre os efeitos da poluição para a saúde estão tosse e falta de ar, irritação nos olhos e risco respiratório.
A Prefeitura disse, em nota, que está intensificando as ações de fiscalização, prevenção e combate às queimadas urbanas, além de monitorar a qualidade do ar e dar assistência à população.
Suspensão de aulas
Aulas da rede municipal de ensino foram suspensas nesta sexta-feira, assim como atividades presenciais nas sedes administrativas do Executivo Municipal. Serviços considerados essenciais foram mantidos, com o das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) também suspendeu as atividades presenciais acadêmicas e administrativas em todos os turnos. A recomendação é realizar as atividades de forma remota. A medida é justificada para “resguardar a saúde da comunidade acadêmica diante do cenário de poluição atmosférica severa”.
A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto Federal do Amazonas (IFAM) seguiram o mesmo caminho e suspenderam aulas e demais atividades acadêmicas nas unidades da instituição na capital. As atividades administrativas foram realizadas remotamente.
Problema recorrente
Monitoramento feito por pesquisadores da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) indica que a qualidade do ar vem atingindo níveis extremos de poluição no estado nos últimos dias. Os dados são disponibilizados na plataforma Selva (Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental).
Desde quarta-feira (7), o ar tem atingido, com frequência diária, concentrações acima de 100 (µg/m³) de material particulado fino. O pico até agora foi registrado às 2h da madrugada desta sexta: 344,5 µg/m³.
Na escala oficial do Índice de Qualidade do Ar (IQAr), usada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), a poluição por material particulado fino é dividida em cinco níveis principais:
- Entre 0 e 15 µg/m³: boa
- Entre 15 e 50µg/m³: moderada
- Entre 50 e 75µg/m³: ruim
- Entre 75 e 125µg/m³: muito ruim
- Entre 125 e 300µg/m³: péssima
Fonte: Agência Brasil — Publicado originalmente em 09/10/2026 18:50 (Brasília).
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