Diversidade na liderança avança, mas ainda é desafio
A presença da diversidade nos cargos de alta liderança das empresas brasileiras tem avançado, mas ainda há desafios para transformar representatividade em uma cultura organizacional efetivamente inclusiva. Levantamento Lideranças Plurais, realizado pela B3 em parceria com o Instituto Locomotiva, aponta que 83% das 290 companhias analisadas atendem aos critérios de diversidade previstos no Anexo ASG. Apesar do avanço, os dados revelam que a participação de pessoas negras e com deficiência nos conselhos de administração e nas diretorias estatutárias permanece reduzida.
Para Amanda Andreone, associada da TrendsInnovation e executiva com mais de 27 anos de carreira em grandes empresas, o cenário reforça a necessidade de compreender a diversidade para além do cumprimento de critérios formais. Autora do capítulo A pluralidade de gênero como alavanca estratégica na governança inovadora, publicado no livro Governança, organizado por Leandro Herculano, ela defende que diferentes experiências, perspectivas e identidades contribuem para decisões mais colaborativas, criativas e alinhadas às transformações do mercado.
"A pluralidade de gênero vai muito além da inclusão feminina. Trata-se de reconhecer e valorizar diferentes experiências e perspectivas, criando ambientes em que as pessoas possam contribuir de forma efetiva. Quando essa pluralidade chega aos espaços de decisão, as empresas ampliam sua capacidade de questionar modelos tradicionais, encontrar soluções e responder às mudanças", afirma Amanda.
Os dados da B3 mostram avanços na participação feminina: 70% das empresas analisadas têm pelo menos uma mulher no conselho de administração, enquanto 51% contam com ao menos uma mulher na diretoria estatutária. Por outro lado, apenas 2% das companhias reportaram a presença de pessoas pretas nas diretorias estatutárias, e somente 3% declararam ter pessoas com deficiência nos conselhos de administração.
Na avaliação da especialista, o desafio agora é transformar os avanços em compromissos permanentes, incorporados à estratégia e à governança corporativa. "Diversidade não deve ser tratada como uma iniciativa isolada ou apenas como um indicador a ser alcançado. É preciso estabelecer metas, rever processos, combater vieses e criar uma cultura de segurança psicológica, na qual diferentes vozes sejam ouvidas e respeitadas. Uma governança verdadeiramente inovadora depende da capacidade de transformar a pluralidade em parte das decisões e da estratégia do negócio", conclui.
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