Feminicídio em Coari: família de Aline Alencar cobra julgamento de ex-companheiro após mais de dois anos
Aline da Silva Alencar, de 27 anos, foi morta em março de 2024; investigação apontou que ela foi golpeada na cabeça e descartou a versão inicial de acidente
Coari (AM) — Mais de dois anos após o assassinato de Aline da Silva Alencar, de 27 anos, a família da vítima continua cobrando celeridade da Justiça para o julgamento do ex-companheiro dela, Marcos Lira dos Santos, apontado como responsável pelo crime.
Aline foi morta na noite de 13 de março de 2024, dentro da residência onde vivia com Marcos, no bairro Naide Lins, em Coari, município localizado a cerca de 363 quilômetros de Manaus.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), o crime teria ocorrido por volta das 19h30. A vítima teria sido atacada pelo companheiro após uma série de conflitos relacionados a ciúmes e à decisão dela de colocar fim ao relacionamento.
Suspeito tentou simular acidente
Após a morte de Aline, Marcos teria informado inicialmente à polícia que a companheira havia caído acidentalmente de uma laje de aproximadamente 3,5 metros de altura e batido a cabeça.
A versão, porém, não foi confirmada pelas investigações.
O exame cadavérico apontou que Aline sofreu traumatismo craniano provocado por golpes na cabeça, indicando que a morte não teria sido causada por uma queda acidental.
Durante a perícia realizada na residência, os investigadores encontraram uma barra de ferro com vestígios de sangue e fios de cabelo da vítima, apontada nas investigações como a possível arma utilizada no crime.
Filha teria ouvido os gritos da mãe
Um dos aspectos mais dolorosos do caso envolve a filha de Aline, fruto de um relacionamento anterior, que morava na mesma residência.
Segundo informações apresentadas durante as investigações, a menina teria ouvido os gritos da mãe pedindo socorro durante a agressão.
Para os familiares, o episódio deixou marcas profundas e aumentou ainda mais a necessidade de que o caso seja julgado.
Acusado está em liberdade
Apesar da gravidade das acusações, Marcos Lira dos Santos permaneceu preso preventivamente por aproximadamente três meses e posteriormente passou a responder ao processo em liberdade, enquanto aguarda o julgamento.
A situação causa revolta entre os familiares da vítima.
Glenda, prima de Aline, afirmou que a família não aceita que o homem apontado como responsável pela morte continue vivendo normalmente enquanto o processo ainda não foi julgado.
“Ele assassinou uma pessoa e hoje vive livremente. Passeia, viaja, anda pela cidade de moto, se relaciona e está atualmente com outra pessoa. Ele tá vivendo como se nada tivesse acontecido”, desabafou.
Ainda segundo Glenda, a demora na conclusão do caso transmite à família uma sensação de impunidade.
Família busca apoio e cobra Justiça
Diante da demora no andamento do processo, familiares de Aline intensificaram as cobranças por uma definição judicial.
O caso passou a contar com acompanhamento jurídico da advogada Adriane Magalhães, Procuradora Jurídica da Virada Feminina no Amazonas, que também passou a atuar junto à família na cobrança por celeridade.
“Aline não é apenas mais um número nas estatísticas de violência contra a mulher. Aline tinha uma família, tinha sonhos, tinha uma história. Sua morte precisa ser esclarecida e julgada com todo o rigor da lei. Estaremos ao lado da família e acompanharemos esse processo até o fim. Justiça por Aline!”, declarou a advogada.
Família espera julgamento
Mais de dois anos após a morte de Aline, familiares continuam aguardando que o processo avance para julgamento.
Para a família, a responsabilização pelo crime é uma forma de buscar justiça pela jovem, que deixou familiares e uma filha.
O caso também chama atenção para a violência contra mulheres no Amazonas e para a necessidade de que denúncias de feminicídio sejam investigadas e julgadas com celeridade.
A família de Aline segue cobrando uma resposta da Justiça e aguarda o julgamento do acusado.
O acusado é considerado inocente até que haja decisão judicial definitiva. As informações apresentadas nesta matéria têm como base os relatos da família, as investigações mencionadas e a denúncia do Ministério Público.
