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Produção têxtil registra alta de 6,8% no Brasil

A indústria têxtil brasileira encerrou 2025 em ritmo de expansão. Segundo dados consolidados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a produção do segmento têxtil cresceu 6,8% entre janeiro e novembro do ano passado, na comparação com o mesmo período do ano anterior, com geração líquida de empregos no período. O desempenho é atribuído a um conjunto de fatores que inclui o fortalecimento das marcas nacionais, a valorização da produção local e o avanço do modelo private label, no qual a indústria fabrica peças para marcas de terceiros.

O setor reúne mais de 25 mil empresas e responde por cerca de 1,3 milhão de empregos diretos no país, de acordo com levantamento da Abit. Nesse cenário, confecções instaladas em polos tradicionais, como Brusque, em Santa Catarina, vêm ampliando a capacidade produtiva para atender desde grandes marcas até e-commerces e novos empreendedores da moda, que buscam parceiros industriais capazes de unir desenvolvimento de produto, controle de qualidade e agilidade nas entregas.

Para Dariele Ferreira, diretora comercial da Brunx Ind., indústria catarinense especializada em private label, streetwear, peças lisas e desenvolvimento de coleções, o crescimento recente é resultado de mudanças estruturais no mercado. "Um dos principais fatores foi a necessidade das marcas de terem mais agilidade para lançar produtos. O mercado da moda mudou muito e hoje as coleções são atualizadas com mais frequência", afirma.

Segundo a executiva, quem depende exclusivamente de fornecedores internacionais costuma enfrentar prazos longos, dificuldades logísticas e pouca flexibilidade para ajustar o desenvolvimento das peças, enquanto a produção nacional permite acompanhar todas as etapas do processo, da escolha do tecido à aprovação da peça-piloto, reduzindo o tempo entre a criação e a chegada do produto ao consumidor.

Marcas nacionais mudam a relação com a indústria

O fortalecimento das marcas brasileiras também alterou o papel das confecções na cadeia produtiva. De acordo com a diretora, as empresas de moda estão mais preocupadas em construir identidade e esperam do parceiro industrial apoio no desenvolvimento da modelagem, na escolha dos tecidos, nos acabamentos e na viabilidade produtiva de cada peça.

"Antes, muitas confecções atuavam apenas como fornecedoras de produção. Hoje, o cliente espera uma parceria mais próxima", avalia. Esse movimento, acrescenta, exige indústrias com processos bem estruturados e capacidade de atender diferentes projetos, de pequenas coleções a produções em maior escala, mantendo padrão de qualidade consistente.

Private label impulsiona novos empreendedores

O avanço do private label está ligado à democratização do empreendedorismo na moda, na análise da executiva. "Criar uma marca própria se tornou mais acessível porque o empreendedor não precisa investir em máquinas, estrutura fabril ou equipe de produção. Ao contar com uma indústria especializada, a marca concentra esforços em posicionamento, marketing, vendas e relacionamento com clientes, enquanto desenvolvimento, modelagem, produção e controle de qualidade ficam sob responsabilidade da confecção", detalha. O modelo também atende à exigência de velocidade de um mercado que trabalha com lançamentos frequentes.

Na Brunx Ind., o atendimento a esse novo perfil de demanda passou por investimentos em padronização de processos internos, capacitação de equipe e melhoria do fluxo de produção, medidas que, segundo a empresa, reduzem retrabalhos e aumentam a previsibilidade das etapas de fabricação. Cada projeto é alinhado previamente com a marca contratante para compreender público, expectativas e características da coleção.

"Mais do que crescer em volume, nosso objetivo é crescer mantendo o padrão de qualidade que nossos clientes esperam", resume Dariele.

A valorização da produção nacional, observa a executiva, também influencia decisões de marcas e consumidores. Para as empresas, produzir no Brasil significa mais controle sobre o processo, com possibilidade de acompanhar amostras, ajustar modelagens rapidamente e reduzir o tempo de colocação de uma coleção no mercado. Do lado do consumidor, cresce a preferência por produtos fabricados no país quando associados à qualidade e transparência, além da percepção de que o consumo local contribui para gerar empregos e fortalecer a economia.

Com a produção têxtil em alta e a demanda por parceiros industriais estruturados em expansão, a avaliação do setor é de que a combinação entre proximidade, flexibilidade e qualidade tende a sustentar o crescimento das marcas nacionais e a consolidar o modelo private label como porta de entrada para novos negócios de moda no Brasil.

Para mais informações, basta acessar: https://brunxind.com/