Internacional

Grupos de protesto e sindicatos na França convocam novas manifestações

Crispian Balmer e Juliette Jabkhiro

Grupos de protesto e sindicatos da França convocaram neste domingo (25) novas manifestações, enquanto buscam manter a pressão sobre o governo. Uma ampla operação de segurança ajudou a conter os distúrbios durante os protestos realizados em todo o país no sábado.

O Ministério do Interior informou que 410 mil pessoas participaram das marchas de sábado (24). As autoridades mobilizaram 70 mil policiais, o que ajudou a evitar a repetição dos saques e atos de vandalismo que atingiram diversas cidades em 17 de outubro.

Líderes sindicais convocaram novos protestos para o próximo sábado e uma greve nacional para 5 de novembro. Segundo eles, a insatisfação com os salários, o custo de vida e os serviços públicos está se espalhando para muito além do movimento estudantil que deu início às mobilizações no mês passado.

“Estamos vendo uma agregação de revoltas”, disse Murielle Guilbert, copresidente da central sindical de esquerda Solidaires, à emissora BFM TV. Segundo ela, as reivindicações de estudantes, trabalhadores, bombeiros e outros grupos estão convergindo.

“Conclamamos as pessoas a ocuparem as ruas no próximo sábado.”

O sindicato de professores SUD Education afirmou que participará da manifestação de 31 de outubro, enquanto a grande central sindical CGT informou que tomará uma decisão ao longo da semana.

Pouco espaço para Macron responder

Os Coletes Amarelos, movimento de base que surgiu em 2018 em oposição aos impostos sobre combustíveis, também convocaram mobilizações em massa para o próximo sábado (31), incluindo atos diante de prefeituras e da Assembleia Nacional.

“Há indignação neste país. Ela está crescendo nas escolas e universidades, nas rotatórias, nos bairros, nas fazendas e nos locais de trabalho”, afirmou a ativista Azelma Sigaux a jornalistas.

Em 2019, o presidente Emmanuel Macron conseguiu encontrar recursos para reduzir os custos dos combustíveis em resposta às reivindicações dos Coletes Amarelos.

Sete anos depois, a pressão sobre as contas públicas deixa pouco espaço para que Macron atenda às demandas dos manifestantes. Além disso, seu mandato termina em abril do próximo ano, e seu partido de centro já não dispõe da maioria necessária para aprovar leis de grande alcance.

O governo iniciou negociações com sindicatos e representantes estudantis na tentativa de conter a crise, mas líderes dos protestos afirmam que as medidas propostas até agora são insuficientes.

“Não recebemos nenhuma resposta deste governo”, disse Guilbert.

Sindicatos policiais afirmaram neste domingo que não dispõem de efetivo suficiente para sustentar por muito tempo o elevado nível de mobilização. No sábado, a operação de segurança ajudou a limitar os distúrbios a confrontos esporádicos em várias cidades, incluindo Paris e Marselha.

Segundo o Ministério do Interior, 1.314 pessoas foram presas no sábado, metade do número registrado na semana anterior. Cerca de 50 policiais ficaram feridos, ante mais de mil na semana passada.

Repercussão além da França

Os protestos tiveram repercussão para além das fronteiras francesas.

No sábado, a polícia belga utilizou gás lacrimogêneo e spray de pimenta durante confrontos com manifestantes antigoverno em Bruxelas.

Na Albânia, protestos pacíficos iniciados no fim de maio se transformaram neste mês em confrontos violentos. Ações também foram registradas em várias cidades italianas pela segunda semana consecutiva.

Fonte: Agência Brasil — Publicado originalmente em 25/10/2026 11:39 (Brasília).

Crédito da imagem: © REUTERS/Dylan Martinez/Proibida reprodução

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