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Neurocirurgião apresenta estratégias para MAVs cerebrais

A malformação arteriovenosa cerebral (MAV) é uma alteração congênita que ocorre quando as artérias e veias do cérebro se ligam de forma direta, sem a presença dos capilares — que são os vasos responsáveis por reduzir, gradativamente, a velocidade do sangue antes de ele chegar às veias do cérebro.

Embora rara, a MAV representa uma das principais causas de acidente vascular cerebral hemorrágico em crianças e adultos jovens e estará entre os temas em debate no XXXVI Congresso Brasileiro de Neurocirurgia (CBN 2026), que será realizado no Rio de Janeiro.

No evento, o neurocirurgião Feres Chaddad, professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da UNIFESP e chefe do Setor de Neurocirurgia do Hospital São Paulo (BP), participa da programação como convidado.

Na sexta-feira (14), o especialista coordena o Simpósio Satélite SERVIER – Evolução do manejo dos gliomas IDH mutados na era da medicina de precisão. Também discute sobre Ressecção microcirúrgica de MAVs em áreas eloquentes: monitorização e vias de acesso, na qual aborda estratégias para operar lesões localizadas em regiões do cérebro responsáveis por funções como linguagem, movimento e sensibilidade. Entre os conteúdos, está a cirurgia com o paciente acordado, técnica que pode ser utilizada em casos selecionados de MAVs.

"Muita gente associa a cirurgia com o paciente acordado apenas ao tratamento de tumores cerebrais, mas essa técnica também pode ser indicada para algumas MAVs. Quando a lesão está próxima de áreas responsáveis pela fala ou pelos movimentos, esse procedimento nos ajuda a preservar essas funções com mais segurança", explica o Prof. Dr. Feres Chaddad.

Ainda na sexta-feira, o neurocirurgião participa do Simpósio de Neuroanestesia, com a palestra Abordagem combinada – integração de equipes, destacando a importância da atuação conjunta entre neurocirurgiões, neuroanestesistas e demais profissionais para aumentar a segurança e a eficiência dos procedimentos de alta complexidade.

Já no sábado (15), Feres Chaddad disserta sobre Como o treinamento anatômico impacta os desfechos cirúrgicos nas MAVs, mostrando como o conhecimento detalhado da anatomia cerebral e o treinamento especializado contribuem para reduzir riscos e melhorar os resultados cirúrgicos.

No mesmo dia, o especialista discorre sobre MAVs inoperáveis: como a tecnologia tem redefinido os limites terapêuticos, na qual abordará o papel de novas tecnologias na ampliação das possibilidades terapêuticas para pacientes que, até pouco tempo atrás, eram considerados sem opção cirúrgica.

Por fim, Dr. Feres também participa como debatedor da sessão Apresentação de caso(s) de MAV para discussão, contribuindo com sua experiência na análise de casos complexos e na tomada de decisão terapêutica.

"As MAVs continuam sendo um dos maiores desafios da neurocirurgia. Cada paciente tem características únicas, exigindo planejamento individualizado e profundo conhecimento da anatomia cerebral para que seja possível tratar a lesão preservando funções essenciais do indivíduo. O congresso é uma oportunidade de compartilhar experiências e discutir como a evolução das técnicas e das tecnologias tem permitido oferecer tratamentos cada vez mais seguros aos pacientes", conclui.