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Avaliação médica metabólica sustenta emagrecimento

Semaglutida e tirzepatida podem ser nomes ainda pouco usados fora dos consultórios médicos, mas Ozempic e Mounjaro viraram termos corriqueiros nas mesas de jantar, aplicativos de mensagens e redes sociais. Popularizados como "canetas emagrecedoras", esses medicamentos injetáveis ganharam visibilidade nos últimos anos em meio ao crescimento da obesidade no país, que passou de 11,8% em 2006 para 25,7% em 2024, segundo a pesquisa Vigitel 2006-2024, do Ministério da Saúde.

Essa popularização, no entanto, trouxe também a aposta no emagrecimento rápido, muitas vezes sem acompanhamento médico adequado. Para especialistas, a abordagem fragmentada, focada apenas na perda de peso como número, ignora a complexidade do processo e pode colocar em risco tanto os resultados quanto a saúde do paciente.

"O risco é acreditar que as ‘canetas’, sozinhas, resolvem o problema", avalia o Dr. Mateus Vilela, médico especialista em emagrecimento e saúde metabólica. "O excesso de peso raramente tem uma única causa. Alterações hormonais, resistência à insulina, deficiência de vitaminas, sono inadequado, estresse e hábitos alimentares inadequados podem dificultar o emagrecimento e comprometer os resultados. Por isso, antes de iniciar qualquer tratamento, é fundamental entender o que está por trás do ganho de peso", diz.

Perda muscular e efeito rebote

Um dos efeitos do emagrecimento sem acompanhamento é a perda de massa muscular. Quando o processo ocorre de forma acelerada ou baseado apenas em restrição calórica, o organismo pode recorrer à degradação muscular como fonte de energia, prejudicando tanto a estética quanto o metabolismo.

"A massa muscular é um dos principais determinantes da saúde metabólica. Ela influencia o gasto energético, a força, a disposição e ajuda a manter os resultados do emagrecimento a longo prazo. Quando o paciente perde músculo em excesso, o metabolismo desacelera e podem surgir sintomas como fadiga, fraqueza e piora da qualidade de vida. Por isso, preservar massa muscular é uma prioridade durante todo o tratamento", explica o Dr. Mateus Vilela.

Adultos com sobrepeso ou obesidade em restrição calórica voluntária sem programa estruturado de exercícios perdem, em média, entre 1 e 2,5 kg de massa muscular a cada 10 kg de peso reduzido, de acordo com um estudo publicado no periódico Obesity, conduzido pela Louisiana State University.

Sem a proteção dos músculos, abre-se caminho para o chamado efeito rebote — o reganho de peso após o fim de um tratamento, como explica o Dr. Mateus Vilela. "Ele geralmente acontece quando o emagrecimento é baseado apenas em restrição calórica ou no uso de medicações sem mudanças estruturais nos hábitos do paciente. Nesses casos, o organismo tende a recuperar o peso perdido após o término do tratamento. Para evitar isso, é fundamental preservar a massa muscular, melhorar a saúde metabólica e criar hábitos que possam ser mantidos a longo prazo", destaca o médico.

Protocolos individualizados

Médicos que atuam com emagrecimento têm adotado abordagens baseadas em avaliação ampla e personalização de protocolos. "Não existe protocolo universal para emagrecimento. Cada paciente possui características metabólicas, hormonais e comportamentais próprias, que precisam ser consideradas durante a elaboração do tratamento", descreve o Dr. Mateus Vilela.

A construção da estratégia considera o peso do paciente; sua composição corporal, que é a proporção entre gordura, músculo e outros tecidos; o perfil metabólico, avaliado por marcadores laboratoriais como glicemia, insulina, colesterol e triglicerídeos; o histórico hormonal, que é a presença de alterações em hormônios que influenciam o peso, como tireoide e cortisol; e a rotina, incluindo padrões de sono, alimentação e atividade física.

O acompanhamento contínuo também é apontado como fator determinante para os resultados. "Além da perda de gordura, observamos frequentemente melhora da disposição, qualidade do sono, autoestima, saúde metabólica e bem-estar geral. Quando conduzido corretamente, o emagrecimento deixa de ser apenas uma mudança estética e passa a representar uma verdadeira transformação de saúde e qualidade de vida", conclui o Dr. Mateus Vilela.

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