Importação direta da China traz vantagens para empresas
A China é o maior parceiro comercial do Brasil: em 2025, foram importados US$ 70,9 bilhões do país asiático, segundo um relatório do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Trata-se de um número recorde, com aumento de 11,5% em comparação com 2024.
Com participação de 25,3% nas importações, a China ficou à frente de países como Estados Unidos (16,1%), Alemanha (5,1%), Argentina (4,6%) e Rússia (3,6%). Outro dado trazido pelo levantamento da CEBC é que a indústria de transformação respondeu por 99,6% das importações vindas da China em 2025.
Rodrigo Lopes, CEO da Global RPX (empresa especializada em assessoria de importação), afirma que houve uma mudança no comportamento das empresas brasileiras nos últimos anos. Segundo ele, a maioria dos negócios de médio porte encarava a importação direta como algo complexo demais e delegava essa responsabilidade a distribuidores ou representantes.
Esse pensamento foi deixado de lado, e, hoje, pequenas e médias empresas de diferentes ramos passaram a operar diretamente com fornecedores da China. Lopes diz que a combinação de três fatores colaborou para que a mudança ocorresse: o e-commerce acelerou a concorrência de preços, a volatilidade do dólar comprimiu margens a níveis insustentáveis para quem compra de intermediário e a digitalização facilitou o acesso direto a fabricantes asiáticos.
"O empresário brasileiro percebeu que continuar pagando duas ou três camadas de margem sobre um produto que ele poderia controlar na origem era, na prática, entregar sua competitividade nas mãos de terceiros", afirma o CEO da Global RPX.
Entre os setores que passaram a fazer compras diretamente da China, Lopes destaca o segmento de utilidades domésticas e decoração, impulsionado principalmente pelo crescimento dos marketplaces. Empresas de equipamentos de proteção individual (EPIs), de saúde, de moda, da indústria têxtil, da construção civil, fabricantes de materiais e acabamentos, além dos setores de autopeças, cosméticos e beleza, também aderiram a essa tendência.
"Mais recentemente, observamos uma aceleração expressiva no segmento de eletrônicos de consumo, autopeças e cosméticos com marca própria (private label). O que todos esses setores têm em comum é a pressão competitiva crescente e a possibilidade real de diferenciação via produto desenvolvido diretamente com o fabricante", detalha Lopes.
O executivo diz que há algumas desvantagens para empresas que dependem excessivamente dos serviços terceirizados de distribuidores e importadores. O primeiro é o financeiro, pois, ao comprar de um distribuidor nacional que importou da China, o empresário paga por toda a cadeia anterior, incluindo frete, tributos, margem do importador, custo de armazenagem e ainda o lucro do distribuidor.
A diferença de custo pode chegar a 40% ou mais, dependendo do produto, o que se torna simplesmente inviável em mercados com concorrência acirrada, argumenta o CEO. "Mas o prejuízo vai além do financeiro. Quem depende de intermediário perde o controle sobre o produto: não negocia especificações, não tem acesso ao roadmap de inovação do fabricante, não consegue criar diferenciação real. É como construir uma marca sobre uma fundação que pertence a outra pessoa", reforça Lopes.
Por outro lado, trabalhar diretamente com o fabricante permite o desenvolvimento de um item exclusivo, com acabamento, cor, funcionalidade ou embalagem que nenhum concorrente vai encontrar no catálogo padrão de nenhum distribuidor, ressalta Lopes.
"Isso transforma a empresa de revendedora em marca. E a marca tem precificação, fidelização e margem. Outro ponto é a agilidade. Com acesso direto à fábrica, o empresário consegue testar lotes menores, aprimorar com mais velocidade e responder às tendências de mercado muito antes de quem ainda depende de terceiros para fazer pedidos", diz ele.
Com o objetivo de tornar essa diferença mais compreensível para o empresário, a Global RPX desenvolveu o Raio X da Importação. Trata-se de um diagnóstico estruturado que mapeia toda a operação, calcula o custo real de importar diretamente e mostra com clareza o impacto financeiro de cada camada da cadeia atual. "Muitos clientes só entendem o tamanho do prejuízo que estavam tendo quando veem esse número na tela", salienta Lopes.
Na visão do CEO da Global RPX, importar diretamente de um fabricante localizado na China é uma prática que deve se tornar cada vez mais comum no Brasil. "Em um ambiente de margens comprimidas, câmbio volátil e consumidor cada vez mais informado sobre preços, ter uma marca própria com produto desenvolvido na origem é o único caminho para construir um negócio sustentável no longo prazo. O intermediário ainda tem oportunidades, mas ele precisa entregar valor real, e esse espaço vai se estreitando a cada ano", conclui.
Para saber mais, basta acessar o site da Global RPX: https://www.globalrpx.com/
