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Gestão técnica na área pública perde espaço com polarização

A falta de qualificação técnica em cargos estratégicos é o principal impacto negativo da polarização política na administração pública. É o que revela um levantamento promovido pelo Conselho Regional de Administração de São Paulo (CRA-SP), que ouviu 569 profissionais da área entre janeiro e fevereiro deste ano.

Para 49,9% dos respondentes, o "apadrinhamento político" supera outros problemas graves, como a ineficiência na alocação de recursos, com a destinação de verbas baseada em afinidade política (16,9%); e a desinformação e crise de confiança (10,2%).

Este cenário ganha contornos ainda mais críticos diante de outros dados sobre o assunto. Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) sobre posições de confiança, a duração mediana em um cargo de DAS (Direção e Assessoramento Superior) é de 25 meses e cerca de 30% dos nomeados não completam o primeiro ano de trabalho.

Esse cenário, segundo o conteúdo produzido pelo Instituto, tem grande potencial para prejudicar o planejamento e a continuidade de políticas públicas, um gargalo que também foi identificado por 24,1% dos profissionais no levantamento do CRA-SP, quando questionados sobre os principais entraves para o desenvolvimento econômico e social.

Para o gerente de Relacionamento do CRA-SP, Adm. Daniel Sguerra, o resultado reflete uma demanda urgente por profissionalização. "A adoção de práticas modernas de gestão contribui para dar continuidade às políticas públicas e assegurar que as transições administrativas ocorram de forma mais fluida, sempre em benefício da sociedade. E é exatamente aí que entra o profissional de Administração", afirma Sguerra.

Outras percepções dos profissionais de Administração

O estudo do CRA-SP ainda identificou que as maiores burocracias ineficientes do setor público, segundo os respondentes, residem no excesso de normas conflitantes (53,4%), em tecnologias obsoletas (43,6%) e na rigidez nos modelos de gestão de pessoas e planos de carreiras.

Além disso, quando questionados sobre quais frentes o profissional de Administração pode gerar mais impacto imediato no setor público, as respostas mais citadas foram o planejamento estratégico e orçamentário (25,3%), a governança, compliance e transparência (22,7%) e a gestão de projetos (19,9%).

Para o gerente do CRA-SP, tanto os entraves técnicos como as forças dos profissionais de Administração mostram a necessidade de gestores bem preparados para lidar com a complexidade e a transformação digital. "Os dados do levantamento mostram que as frentes de maior impacto apontadas pelos profissionais são vistas como oportunidades concretas de aprimoramento na administração pública. São justamente campos em que o administrador pode agregar metodologia, visão sistêmica e capacidade de execução, contribuindo para que políticas públicas alcancem resultados mais consistentes e duradouros", reforça Sguerra.