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Avanços diagnósticos redefinem manejo de nódulos de tireoide

Avanços em métodos diagnósticos e na estratificação de risco têm ampliado a precisão na avaliação de nódulos de tireoide e ajudado a definir condutas mais individualizadas, segundo estudo publicado pela revista científica American Family Physician (AFP). A publicação aponta que testes moleculares e protocolos de monitoramento clínico vêm modificando a condução de casos com diagnóstico inconclusivo e, em situações selecionadas de baixo risco, podem apoiar alternativas à cirurgia imediata.

O Dr. Rafael de Cicco, médico e cirurgião de cabeça e pescoço, reforça que a capacidade de estratificar melhor o risco foi a mudança mais significativa no diagnóstico de nódulos de tireoide nos últimos anos.

Segundo o cirurgião, atualmente, além da existência do nódulo, é possível avaliar suas características ultrassonográficas, seu comportamento ao longo do tempo e a real necessidade de punção ou tratamento. "Isso reduziu intervenções desnecessárias e tornou a investigação mais precisa".

O médico explica que o uso de tecnologias mais avançadas tem impactado a jornada do paciente, desde a descoberta do nódulo até a definição do tratamento, encurtando a distância entre o diagnóstico e uma decisão mais segura de abordagem.

"Um bom ultrassom, realizado por profissional experiente, permite definir se o nódulo deve apenas ser acompanhado, se precisa de punção ou se há indicação de tratamento. Isso evita tanto o excesso de conduta quanto a negligência", comenta o profissional.

De acordo com o artigo da AFP, nódulos tireoidianos podem ser identificados por ultrassonografia em até 68% da população geral, são encontrados incidentalmente em cerca de 16% dos exames de tomografia computadorizada ou ressonância magnética da região cervical, sendo que entre 90% e 95% destes são benignos.

"A ultrassonografia é o exame que melhor caracteriza o nódulo. Ela mostra tamanho, composição, vascularização, margens e sinais de suspeição. A punção aspirativa, quando indicada, acrescenta uma informação citológica fundamental", enfatiza o médico.

Para o especialista, juntos, os exames de ultrassonografia e punção aspirativa por agulha fina (PAAF) oferecem mais segurança ao permitirem diferenciar a maioria dos nódulos benignos daqueles que realmente exigem atenção.

O mesmo estudo mostra que, em casos que exigem investigação complementar, 25% das amostras obtidas por PAAF têm risco de malignidade entre 5% e 30%, sendo que 80% desses casos foram posteriormente classificados como benignos, o que tem levado à revisão de indicações cirúrgicas em diagnósticos inconclusivos.

O Dr. Rafael de Cicco pontua que a inteligência artificial (IA) também é uma ferramenta de apoio para decisões mais assertivas, especialmente na análise de imagens, padronização de laudos e avaliação de risco.

"A IA ajuda a enxergar padrões, enquanto o médico precisa interpretar o paciente. A decisão em tireoide depende de contexto clínico, histórico do paciente, exame físico, expectativa individual e experiência; portanto, a tecnologia não substitui o médico, mas o auxilia", salienta.

Uma revisão publicada na PubMed Central indica que a IA pode ser aplicada no diagnóstico de nódulos tireoidianos em exames de ultrassonografia, análise celular e medicina nuclear. Segundo a publicação, a tecnologia apresentou precisão semelhante à de radiologistas experientes e pode ajudar a diferenciar nódulos benignos e malignos, apoiar decisões terapêuticas e reduzir PAAF desnecessárias.

Tratamento e acompanhamento médico

De acordo com o cirurgião, em nódulos benignos, sintomáticos ou com impacto estético, a ablação — procedimento minimamente invasivo para reduzir o nódulo sem remoção da glândula — pode ser uma alternativa à cirurgia em casos bem selecionados.

"Para o paciente, é um grande impacto poder tratar o nódulo preservando a glândula tireoide, com menor invasividade, recuperação mais rápida e menor chance de necessidade de reposição hormonal quando comparado a uma cirurgia tradicional", conta o especialista.

O médico esclarece que a maioria dos nódulos é benigna, mas alguns podem crescer, causar sintomas compressivos ou apresentar características suspeitas. Ele reforça que, sem acompanhamento, o paciente pode tanto atrasar o diagnóstico de um câncer quanto conviver por anos com sintomas que poderiam ser tratados de forma menos invasiva.

"O principal risco é de perder o momento adequado para intervenção, portanto, a abordagem médica adequada não é a mais tecnológica nem a mais intervencionista, e sim aquela que usa a tecnologia certa, interpretada por um especialista experiente, para tomar decisões individualizadas", declara o cirurgião.

A PAAF permanece entre as principais ferramentas na avaliação de nódulos tireoidianos, auxiliando na definição de quais casos exigem intervenção cirúrgica ou apenas acompanhamento clínico, de acordo com estudo publicado na PubMed Central.

Para finalizar, o Dr. Rafael de Cicco destaca ainda a importância da avaliação individualizada, do acompanhamento especializado e da atuação multidisciplinar para definir a conduta mais adequada a cada paciente.

Para saber mais, basta acessar: https://rafaeldecicco.med.br/