PF investiga esquema milionário de contrabando de diamantes e garimpo ilegal ligado ao entorno de ex-governador de Roraima
Brasil – O que começou como uma abordagem de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-174, em 2020, transformou-se em um dos mais complexos inquéritos sobre exploração ilegal de riquezas naturais na Amazônia. A Polícia Federal (PF) investiga um esquema de contrabando de diamantes, lavagem de dinheiro e financiamento de garimpo ilegal que alcança pessoas ligadas ao entorno do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium.
No centro das investigações está o empresário Fabrício de Souza Almeida, apontado pela PF como o principal operador financeiro da organização criminosa. Segundo os investigadores, ele seria responsável por administrar uma rede de empresas de fachada utilizada para movimentar milhões de reais oriundos da exploração ilegal de minérios.
As apurações ganharam repercussão política após o nome do ex-governador Antonio Denarium surgir nos autos do processo. De acordo com a PF, investigados utilizaram como referência oficial a Fazenda J. Bastos, localizada no município de Iracema (RR) e declarada por Denarium à Justiça Eleitoral em 2018.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi uma publicação em rede social na qual Denarium teria se referido a um sobrinho como “the diamond king” (“o rei do diamante”), fato considerado pela polícia como um possível indicativo de proximidade do grupo com o mercado de pedras preciosas.
As investigações financeiras revelaram movimentações consideradas incompatíveis com a estrutura das empresas analisadas. A empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício Almeida, teria movimentado mais de R$ 6 milhões em poucos meses, mesmo sem possuir funcionários, veículos ou estrutura operacional compatível com o volume financeiro.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o grupo investigado movimentou aproximadamente R$ 64 milhões entre os anos de 2017 e 2021. O esquema incluía saques em espécie e sucessivas transferências bancárias entre integrantes da organização, estratégia frequentemente utilizada para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Fabrício de Souza Almeida já havia sido preso em flagrante em 2010, durante a Operação Roosevelt, que combatia o comércio ilegal de diamantes em Rondônia. Atualmente, ele e sua tia, Vanda Garcia de Almeida, também respondem como réus por suposto financiamento de garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami.
Durante mandados de busca e apreensão, agentes federais encontraram documentos, anotações e comprovantes de pagamentos a pilotos, além de registros relacionados ao transporte clandestino de minérios extraídos ilegalmente de áreas protegidas.
Até o fechamento desta edição, a defesa dos investigados e a assessoria do ex-governador Antonio Denarium não haviam se pronunciado oficialmente sobre os novos desdobramentos da investigação. O espaço segue aberto para manifestações.
Os denunciados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e usurpação de bens da União. Parte do processo segue sob segredo de Justiça.
