Notícias Corporativas

Inadimplência e venda recorde impulsionam leilões

O mercado de financiamento de veículos no Brasil iniciou 2026 com um marco expressivo, mas que acende um alerta econômico. Em janeiro, foram registradas 616 mil unidades financiadas no país, o que representa o maior volume para o mês desde 2008. Os dados apontam um crescimento de 9,2% na comparação com o mesmo período de 2025, com destaque para os veículos seminovos, que somaram 412 mil unidades negociadas.

Entretanto, esse aquecimento no setor automotivo contrasta diretamente com a realidade financeira do país. O Brasil enfrenta um ambiente de crédito encarecido, com a taxa Selic mantida no patamar de 15,00% ao ano. Esse cenário pressiona o orçamento das famílias, cujo comprometimento de renda com o pagamento de dívidas alcançou a máxima histórica de 29,3%.

O descompasso entre o forte apetite por consumo e a real capacidade de pagamento já reflete nos índices de calote. Em janeiro de 2026, o número geral de consumidores inadimplentes atingiu a marca de 73,3 milhões, configurando o pior início de ano da série histórica. Especificamente nos financiamentos de veículos, a taxa de inadimplência fechou em 5,6% no fim de 2025, registrando um aumento de 1,4 ponto percentual em doze meses.

Para o leiloeiro público oficial Gian Braggio, essa combinação de fatores cria um efeito de causa e consequência imediato no setor de recuperação de ativos. A análise técnica aponta que o volume recorde de crédito concedido em um ambiente de juros altos e renda comprometida resultará, inevitavelmente, no aumento da retomada de bens pelas instituições financeiras.

A consequência desse cenário é a expansão acelerada do mercado de leilões. O setor, que já havia registrado um crescimento de aproximadamente 18% no volume de arremates no início de 2025, projeta uma expansão ainda maior para 2026, estimada na casa dos 30%.

Dessa forma, o atual recorde de financiamentos funciona como um indicador antecedente para os leilões, consolidando o segmento como a principal via de escoamento para a recuperação de crédito dos bancos e uma alternativa para investidores que buscam ativos abaixo do valor de mercado. "Apesar das oportunidades, o especialista alerta que o ingresso neste mercado exige preparo, sendo fundamental a busca por conhecimento técnico e estudo prévio antes de qualquer arrematação para mitigar riscos e evitar prejuízos patrimoniais."