Estudos analisam eixo cérebro-intestino no Parkinson
Em 11 de abril, celebra-se o Dia Mundial da Doença de Parkinson. A data marca o aniversário do médico James Parkinson, que descreveu pela primeira vez a doença na obra "Um Ensaio sobre a Paralisia Agitante", de 1817. O objetivo da celebração é educar a população sobre essa condição neurodegenerativa, diminuir o estigma, apoiar pacientes e incentivar pesquisas. Estimativas sugerem que aproximadamente 25,2 milhões de pessoas viverão com a enfermidade em 2050 em todo o mundo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prevalência dobrou nos últimos 25 anos e, atualmente, é a segunda doença neurodegenerativa mais comum. Embora tenha diferentes fatores de risco, como idade avançada, histórico familiar, exposição a toxinas ambientais e traumas cranianos, cientistas têm sugerido que o eixo intestino-cérebro desempenha um papel crucial na compreensão do desenvolvimento da doença de Parkinson.
Essa enfermidade neurodegenerativa que atinge principalmente os idosos é caracterizada por sintomas motores, incluindo bradicinesia, tremores de repouso e rigidez. No entanto, os sintomas não motores, como os neuropsiquiátricos, distúrbios do sono-vigília e constipação, têm ganhado relevância nos últimos anos. Esses sintomas podem surgir em qualquer fase da doença e afetar gravemente a qualidade de vida. Dentre eles, um dos mais comuns é a disfunção gastrointestinal, com destaque para a constipação.
"Alguns estudos mostram que a maioria dos pacientes com doença de Parkinson tem sintomas gastrointestinais, como constipação, anos antes do início dos sintomas motores", comenta a engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil. Essa constatação levou os pesquisadores a investigar o eixo intestino-cérebro, por ser um elo de comunicação bidirecional entre o trato gastrointestinal e o sistema nervoso central.
Comprovações
No artigo científico ‘Parkinson’s disease and the gut-brain connection: unveiling pathways, mechanisms and promising therapies’, pesquisadores indianos explicam que o eixo intestino-cérebro estabelece vias de comunicação entre a microbiota intestinal, o sistema nervoso entérico e o sistema nervoso central por meio de sinais neurais, imunológicos e endócrinos. De acordo com os autores, é por meio do nervo vago que o sistema nervoso entérico conecta o cérebro e o intestino para ganhar a designação de ‘segundo cérebro’.
Esses autores afirmam, ainda, que alterações na microbiota intestinal em pacientes com doença de Parkinson resultam em aumento da permeabilidade intestinal, permitindo que endotoxinas bacterianas, como os lipopolissacarídeos, entrem na corrente sanguínea e desencadeiem inflamação sistêmica. Isso, subsequentemente, estimula a microglia e os astrócitos no cérebro, intensificando a neuroinflamação e a degeneração neuronal. "Ademais, os agregados de α-sinucleína originários do intestino são transmitidos ao cérebro por meio do nervo vago", relatam.
Ainda de acordo com esses cientistas, pesquisas recentes sugerem que probióticos, produtos naturais e medicamentos sintéticos podem restaurar a homeostase microbiana, melhorar a integridade da barreira intestinal e modular as respostas neuroinflamatórias, oferecendo potenciais benefícios terapêuticos para a doença de Parkinson. "Os probióticos já demonstraram reduzir a inflamação, melhorar a motilidade intestinal e atenuar a patologia da α-sinucleína", resumem. Segundo a literatura científica, o acúmulo de α-sinucleína está fortemente ligado à doença de Parkinson, demência com corpos de Lewy e atrofia de múltiplos sistemas.
O estudo ‘Effect of Lacticaseibacillus paracasei strain Shirota supplementation on clinical responses and gut microbiome in Parkinson’s disease’ investigou o efeito da ingestão relativamente prolongada do probiótico Lacticaseibacillus paracasei Shirota (LcS – anteriormente denominado Lactobacillus casei Shirota) no funcionamento gastrointestinal e na saúde metabólica de pacientes com doença de Parkinson com constipação.
"Segundo os cientistas, o estudo foi o primeiro a demonstrar que a suplementação de LcS poderia melhorar os sintomas relacionados à constipação, reduzir a carga dos sintomas gerais e melhorar a qualidade de vida desses pacientes", informa a gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult. Além disso, foi demonstrado que o probiótico LcS proporciona efeitos psicológicos positivos, melhorando os distúrbios de humor em idosos e reduzindo os sintomas de ansiedade.
Ansiedade e depressão são sintomas não motores comuns em pacientes com doença de Parkinson, com potencial impacto negativo na incapacidade motora e na qualidade de vida. "Portanto, o estudo demonstrou que, embora a suplementação de LcS não tenha induzido grandes mudanças no microbioma intestinal global, a ingestão diária desse probiótico teve efeitos favoráveis nos sintomas não motores e nos sintomas gastrointestinais dos pacientes", resume a gerente da Yakult. Este experimento randomizado, duplo-cego e controlado por placebo foi realizado na Clínica de Distúrbios do Movimento do Departamento de Neurologia do Hospital Ruijin da Faculdade de Medicina da Universidade Shanghai Jiao Tong, na China.
Sobre a Yakult
Fundada em 1955 pelo médico e pesquisador Minoru Shirota, a Yakult Honsha, sediada em Tóquio, no Japão, pesquisa os microrganismos probióticos promotores da saúde. Presente em 40 países e regiões, a marca faz parte dos hábitos alimentares diários de mais de 38 milhões de consumidores no mundo. Para outras informações, basta acessar o site: www.yakult.com.br ou as redes sociais da empresa: Facebook/yakultbrasiloficial, Instagram@yakultbrasil e TikTok/yakultbrasil.
