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Caso Benício: Polícia aponta que vídeo apresentado por médica para culpar sistema pode ter sido falsificado

Polícia descarta falha em sistema e investiga possível fraude em vídeo no caso da morte de menino em Manaus

A Polícia Civil do Amazonas avançou nas investigações sobre a morte do menino Benício Xavier e passou a apontar que não houve falha no sistema do Hospital Santa Júlia, em Manaus. A informação foi confirmada após perícia técnica realizada no software utilizado pela unidade de saúde.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, responsável pelo caso, a análise descartou qualquer erro no programa. Segundo ele, o sistema não altera automaticamente a via de administração de medicamentos, como havia sido alegado inicialmente pela defesa da médica Juliana Brasil.

“O sistema não tinha nenhum defeito. Ou seja, o erro foi dela mesmo”, afirmou o delegado, acrescentando que o software é utilizado há anos em diversos hospitais do país sem registro de falhas semelhantes.

Investigação aponta possível fraude processual

Além de descartar falha técnica, a Polícia Civil também investiga a possibilidade de fraude processual. Segundo o delegado, há indícios de que a médica tenha apresentado um vídeo adulterado à Justiça e à imprensa com o objetivo de atribuir a responsabilidade ao sistema hospitalar.

A suspeita surgiu após a análise do celular da investigada, feita com autorização judicial. Mensagens encontradas no aparelho indicariam que o material foi produzido mediante pagamento.

“Durante a extração do celular da médica Juliana Brasil, tivemos acesso a mensagens que indicavam que ela comprou aquele vídeo que apresentou ao Tribunal de Justiça e à imprensa para alegar que o erro teria sido do sistema e não dela”, declarou.

Ainda conforme a investigação, o vídeo não teria sido gravado no mesmo ambiente onde ocorreu o atendimento do menino. A polícia aponta que o conteúdo foi produzido em outro hospital, utilizando um fluxo diferente do sistema para gerar um resultado distinto do real.

O delegado também afirmou que outras pessoas teriam participado da produção do material, incluindo uma médica identificada como Luiza e a irmã da investigada, que teriam auxiliado na busca por uma profissional para gravar o vídeo.

Entenda o caso

O menino Benício Xavier morreu no dia 23 de novembro do ano passado, após receber uma dose elevada de adrenalina durante atendimento no Hospital Santa Júlia, em Manaus.

De acordo com as investigações, a médica Juliana Brasil teria prescrito uma dosagem incorreta do medicamento. A aplicação foi realizada por via intravenosa pela técnica de enfermagem Raiza Bentes.

Inicialmente, a médica teria admitido o erro na prescrição. Posteriormente, passou a sustentar que a falha teria sido causada por um problema no sistema do hospital — hipótese agora descartada pela perícia.

Novo crime pode ser incluído

Com os novos elementos, a Polícia Civil avalia incluir mais um crime no inquérito. A suposta falsificação do vídeo pode caracterizar fraude processual, ampliando a responsabilização não apenas da médica, mas também de outras pessoas que teriam participado da produção do material.

A investigação aguarda agora os laudos do Instituto Médico Legal (IML) para a conclusão do relatório final, que deverá indicar os possíveis indiciamentos no caso.

Até o momento, a defesa da médica não se manifestou oficialmente sobre as novas declarações da polícia.

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