Política

“Hata” palestina é entregue a Janja Lula encontro científico na Amazônia

A primeira-dama recebeu o símbolo das mãos de Muna Hajoj, diretora de mulheres da FEPAL/BR, e o manteve sobre os ombros e no púlpito como sinal de apoio à Palestina durante debate sobre a COP 30

A entrega aconteceu durante a solenidade, quando Janja Lula da Silva recebeu das mãos da diretora de mulheres da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), Muna Hajoj, uma “Hata” palestina, considerada um símbolo de resistência do povo palestino. O gesto, de forte caráter simbólico, buscou dar visibilidade à pauta palestina diante da presença da comunidade internacional e dos debates sobre justiça social e direitos humanos no contexto das discussões ambientais.

A primeira-dama, Janja Lula da Silva, esteve no Amazonas nesta semana para participar do encontro da comunidade científica e tecnológica da Amazônia com a presidência da COP 30, realizado em Manaus.

O evento reuniu pesquisadores, autoridades, representantes da FEPAL/BR e da sociedade civil em preparação para a Conferência do Clima, prevista para novembro de 2025, em Belém (PA).

Mamoun Imwas e Muna Hajoj participaram do encontro como membros da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e a Sociedade Árabe Palestina do Amazonas. Imwas integra a frente financeira da federação, enquanto Hajoj atua como diretora de mulheres da organização.

“Trazer a “Hata” Palestina até a primeira-dama é uma forma de dar visibilidade à dor do nosso povo e reforçar que a solidariedade internacional é fundamental diante de tamanha injustiça. Assistir a todo discurso onde a primeira dama ficou com a Hata no púlpito foi um gesto significativo para nós” , destacou Muna Hajoj.

Conflito no Oriente Médio
A entrega da “Hata” ocorre em um momento de crise humanitária e genocídio na Palestina, especialmente na Faixa de Gaza, por ofensivas de Israel e que se intensificou desde outubro de 2023.

De acordo com dados recentes da Organização das Nações Unidas (ONU), desde o início da ofensiva israelense, milhares de palestinos foram mortos e em sua maioria mulheres e crianças. A população local não tem acesso a água, alimentos, energia elétrica e serviços básicos de saúde. Organismos internacionais têm alertado para o risco de fome em larga escala e defendido a criação de corredores humanitários.

Amazônia como espaço de diálogo e visibilidade mundial
Durante a cerimônia em Manaus, Janja utilizou a “Hata” sobre os ombros e a posicionou no púlpito enquanto discursava, reforçando o simbolismo do ato.

Para a historiadora e professora de História da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Gleice Oliveira, a cena foi carregada de significados políticos e culturais, mas também revela a necessidade de ir além do simbolismo.

“É representativo e é simbólico, porque demonstra o que o presidente Lula já vem falando diretamente aos meios de comunicação, que é apoia o povo palestino. No entanto, nós necessitamos de ações concretas para que o Brasil rompa as relações políticas, diplomáticas e comerciais com o Estado de Israel. O discurso é fundamental, mas precisamos ir além dele. Também cabe à população agir, fazendo boicote a produtos e empresas que apoiam ou financiam os ataques contra o povo palestino, como exemplo do que já acontece no Canadá. Cada um de nós pode ter uma ação concreta de apoio, no seu local de estudo, de trabalho e de consumo”, afirmou a professora.

Atividades no Amazonas em prol da Palestina
Nos últimos anos, a Sociedade Árabe Palestina do Amazonas vêm promovendo eventos de mobilização social e educacional. Em junho de 2024, a Juventude Árabe Palestina organizou uma manifestação no Largo São Sebastião, em Manaus, reunindo mais de mil pessoas em defesa da Palestina.

Ainda em 2024, foi realizado o II Simpósio “Vozes Palestinas e o Direito Humanitário Internacional” na UFAM e no Shopping Cidade Leste e reuniu especialistas, jornalistas, juristas e professores em debates sobre direitos humanos, desinformação e paralelos entre a causa palestina e os povos originários da Amazônia.

Essas iniciativas reforçam a atuação da comunidade palestina no Amazonas e sua inserção nos debates nacionais e internacionais.

Sobre a Sociedade Árabe Palestina do Amazonas
Fundada em 1978 pelos primeiros imigrantes palestinos no estado, a Sociedade Árabe Palestina do Amazonas reúne atualmente cerca de 500 membros. A entidade atua na preservação cultural, promoção de eventos comunitários e integração social, com eleições a cada quatro anos.

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