DestaquesPolítica

Nikolas Ferreira critica combate à queimadas em Manaus, mesmo votando contra IBAMA

Deputado Nikolas Ferreira critica combate às queimadas, mesmo retirando verba do IBAMA

MANAUS – No último sábado (31), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) visitou Manaus para apoiar a campanha do Capitão Alberto Neto e fez críticas à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao cantor Caetano Veloso e a outros artistas, acusando-os de não se manifestarem publicamente sobre as queimadas e a fumaça que afetam a cidade. Nikolas questionou a ausência de apoio visível dessas figuras públicas diante da crise ambiental.

“Interessante, eu estou em Manaus, desde hoje cedo até agora, não vi Marina Silva, não vi Greta, não vi Caetano Veloso. É inacreditável. Porque o recorde anterior de queimadas era do Lula, e ele quebrou o próprio recorde agora, ou seja, é a maior queimada em dezessete anos. Ontem, quando eu cheguei aqui na madrugada, estava com cheiro de fumaça. A situação está piorando, e os artistas que eram tão vocais sobre a Amazônia na época do Bolsonaro agora parecem ter desistido. Parece que ser de esquerda é conveniente apenas quando estão no poder. Até queimar a Amazônia eles podem fazer, e ficar calados, é realmente muito conveniente”, declarou o deputado.

No entanto, é importante destacar que no ano passado, Nikolas Ferreira votou para reduzir o orçamento e a autonomia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A proposta de lei orçamentária apresentada pelo governo indicou uma redução de R$ 700 milhões para a pasta chefiada por Marina Silva.

Durante sua visita a Manaus, Ferreira observou que o desmatamento e as queimadas atingiram níveis alarmantes, ressaltando que a destruição da floresta amazônica bateu o quinto recorde anual consecutivo em 2022, com a maior área desmatada dos últimos 15 anos, totalizando 10.573 quilômetros quadrados. Segundo o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), a área derrubada em 2022 foi equivalente a quase 3 mil campos de futebol por dia.

Entre 2019 e 2022, o desmatamento durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro alcançou 35.193 quilômetros quadrados, um aumento de quase 150% em relação aos quatro anos anteriores. Em 2022, 80% das áreas desmatadas pertenciam ao governo federal, e a devastação aumentou 2% em relação ao ano anterior. O desmatamento em terras estaduais também aumentou significativamente, com um salto de 11% de um ano para o outro.

Ao assumir o Ministério do Meio Ambiente em 2023, Marina Silva afirmou ter encontrado um desmonte na fiscalização ambiental, com o número de servidores do Ibama reduzido para 700, em comparação aos 1.700 fiscais disponíveis em 2008, quando ela chefiou a pasta pela primeira vez. A ministra destacou que medidas estão sendo tomadas para reverter a situação, incluindo a realização de concursos para o Ibama e para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A nossa equipe de reportagem entrou em contato com o Superintendente do Ibama no Amazonas, Joel Araújo, que afirmou: “O Amazonas vem sendo afetado por queimadas, em grande parte para a produção pecuária, que avançam sobre a floresta causando incêndios florestais. O deputado pode contribuir na diminuição do problema no Amazonas destinando emendas parlamentares para a prevenção e combate às queimadas, bem como valorizando os órgãos e servidores ambientais. Sobre o corte de recursos, posso afirmar que quanto ao problema das queimadas no Amazonas, não haverá impacto, pois o estado já é objeto da atuação do PREVFOGO/IBAMA do Governo Federal, e haverá em breve uma atuação ainda mais rigorosa sobre os crimes de uso legal do fogo, agora como órgão público e técnico o Ibama e seus representantes não podem opinar sobre opiniões políticas quando revestidos das atribuições do cargo.”, afirmou Joel sobre as cobranças feitas por Nikolas.

Ainda segundo o Superintendente, o IBAMA também mantém um robusto esquema de brigadas para a prevenção e combate a incêndios florestais no Estado do Amazonas. Atualmente, o Ibama conta com um total de cinco brigadas: quatro permanentes e uma de pronto emprego. Juntas, essas brigadas são compostas por 121 brigadistas dedicados, que trabalham incansavelmente para proteger o meio ambiente da região.

Cada brigada é equipada com 10 viaturas e um veículo UTV (Utilitário de Tração nas Quatro Rodas), projetado para áreas de difícil acesso, facilitando o acesso das equipes às regiões mais remotas e desafiadoras. Os trabalhos começaram em março de 2024, e, para reforçar ainda mais a capacidade operacional, está previsto o aumento do número de brigadistas para 160 na próxima semana, com a inclusão de mais 40 profissionais. Além disso, a operação conta com viaturas e carros-pipa para apoio logístico adicional.

As brigadas atuam em várias localidades críticas, cobrindo diversos municípios do estado com foco especial nas áreas mais vulneráveis. Em Humaitá, no Projeto de Assentamento Maria Auxiliadora, 26 brigadistas estão alocados para enfrentar os desafios locais. Em Manicoré, na Terra Indígena Tenharim Marmelo, 35 brigadistas são responsáveis pela proteção e controle das áreas afetadas. Em Apuí, no Projeto de Assentamento Aripuanã Guariba, 25 brigadistas atuam para assegurar a preservação da área. Devido à atual situação de emergência em Apuí, uma brigada de pronto emprego, composta por 14 brigadistas, está também em operação na região. Finalmente, em Autazes, na Terra Indígena Recreio São Félix, 21 brigadistas estão envolvidos na prevenção e combate a incêndios florestais.

Índice Desmatamento

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre agosto de 2022 e julho de 2023, o desmatamento na Amazônia Legal caiu 21,8%, somando 9.064 km², comparado a 11.594 km² no período anterior. Esses números são do sistema Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Nos 70 municípios mais críticos para o desmatamento, que foram responsáveis por 75% da derrubada em 2022, a redução foi ainda maior, de 42%, quase o dobro da média na Amazônia Legal.

Além disso, o sistema Deter do Inpe, que monitora o desmatamento com alertas diários, mostrou que a queda continuou acentuada nos últimos nove meses. De agosto de 2023 a abril de 2024, o desmatamento foi de 2.686 km², o que representa uma redução de 55% em relação ao mesmo período do governo Bolsonaro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *